O que não é transexualidade?,Transexualidade é doença?

O que não é transexualidade?

Travestilidade: travestis (ou crossdressers) e transexuais são diferentes. Travesti é uma pessoa que se veste com as roupas e acessórios do sexo oposto, altera seu corpo para que se assemelhe ao sexo oposto ao genético e vive mais como uma pessoa do gênero oposto ao seu sexo biológico do que como uma pessoa do seu sexo biológico - porque se identifica com tal gênero, mas não inteiramente. Embora travestis gostem de se assemelhar a um indivíduo do sexo oposto, eles(as) não se consideram do gênero oposto, consideram-se “travestis” e simplemente isto.

Obs.: um transexual pode “travestir-se” antes de começar a transição, mas vai continuar sendo transexual.

Transgenereidade: transgênero pode ser considerado um termo geral que engloba a transexualidade, a travestilidade e outras pessoas que não são cisgêneras (que têm identidade de gênero correspondente ao seu sexo biológico) – neste caso o transexual é transgênero. Mas também é utilizado como para denominar uma pessoa que não é cisgênera, mas também não se encaixa na definição de transexual ou de travesti – neste caso o transexual não é dito transgênero, porque já tem uma categoria definida transexual dentro da classe dos transgêneros.

Homossexualidade: é relativo a orientação sexual da pessoa, ou seja, se a pessoa se atrai por pessoas do mesmo gênero ou do gênero oposto. Os homossexuais sentem atração por pessoas do mesmo gênero (mulheres que sentem atração por mulheres e homens que sentem atração por homens), mas estão felizes com o sexo refletido pelo seu corpo. O termo transexualidade não está relacionado à orientação sexual da pessoa, e sim à identidade de gênero. Dessa forma, transexuais podem ser heterossexuais, homossexuais ou bissexuais.


Transexualidade é doença?

Existe uma grande discussão entre profissionais
da psiquiatria, da psicologia, ativistas transexuais
e a comunidade transexual relacionada a considerar
a transexualidade como uma doença ou não. O
diagnóstico consta tanto no CID-10
como Transexualismo) quanto no DSM-IV
(como Transtorno de Identidade de Gênero).

De acordo com a Classificação Estatística Internaciona
l
de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde
- versão 10 ou CID-10 – uma publicação periódica da
Organização Mundial da Saúde (OMS) –, o diagnóstico
de Transexualismo (F64.0) em um adulto requer que 3
critérios básicos sejam satisfeitos:

• Desejo de viver e ser aceito como membro do sexo
oposto, normalmente acompanhado pelo desejo de
fazer com que o corpo seja o mais congruente possível
com o sexo preferido, através de cirurgia e tratamento

hormonal.
• Este desejo esteve presente persistentemente por pelo


De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de
Doenças Mentais - 4ª Edição (ou DSM-IV), a publicação
periódica da Associação Psiquiátrica Americana (APA),
os critérios diagnósticos são:

A. Uma forte e persistente identificação com o gênero oposto
(não meramente um desejo de obter quaisquer vantagens
culturais percebidas pelo fato de ser do sexo oposto).

Em crianças, a perturbação é manifestada por quatro
(ou mais) dos seguintes quesitos:

• Declarou repetidamente o desejo de ser, ou insistência
de que é, do sexo oposto;
• Em meninos, preferência pelo uso de roupas do gênero
oposto ou simulação de trajes femininos; em meninas,
insistência em usar apenas roupas masculinas;
• Preferências intensas e persistentes por papéis do sexo
oposto em brincadeiras de faz-de-conta, ou fantasias
persistentes acerca de ser do sexo oposto;
• Intenso desejo de participar em jogos e passatempos
estereotípicos do sexo oposto;
• Forte preferência por companheiros do sexo oposto.

Em adolescentes e adultos, o distúrbio se manifesta por
sintomas tais como desejo declarado de ser do sexo oposto
, passar-se freqüentemente por alguém do sexo oposto,
desejo de viver ou ser tratado como alguém do sexo oposto,
ou a convicção de ter os sentimentos e reações típicos do
sexo oposto.

B. Desconforto persistente com seu sexo ou sentimento de
inadequação no papel de gênero deste sexo.

Em crianças, a perturbação manifesta-se por qualquer
das seguintes formas: em meninos, afirmação de seu pênis
ou testículos são repulsivos ou desaparecerão, declaração
de que seria melhor não ter um pênis ou aversão a brincadeiras

rudes e rejeição a brinquedos, jogos e atividades estereotipadamente masculinas

Em adolescentes e adultos, o distúrbio manifesta-se por sintomas tais como preocupação em ver-se livre de características sexuais primárias ou secundárias (por ex., solicitação de hormônios, cirurgia ou outros procedimentos para alterar fisicamente as características sexuais, com o objetivo de simular o sexo oposto) ou crença de ter nascido com o sexo errado.

C. A perturbação não é concomitante a uma condição intersexual física.
D. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Apesar dos critérios diagnósticos do DSM-IV serem mais descritivos, o CID-10 deve ser necessariamente utilizado no Brasil para avaliações médicas oficiais, por ser a OMS a o organismo ao qual o Brasil é filiado. A importância do diagnóstico médico no Brasil é a possibilitação da realização de cirurgias e do tratamento hormonal dentro do país, e a utilização de meios públicos (SUS) para os mesmos.

Há uma campanha mundial para despatologizar a transexualidade, ou melhor, tirá-la do DSM-V e do CID 11 como transtorno psiquiátrico. Clique na imagem para saber mais:



Qual é a causa?

Causas prováveis da disforia de gênero seriam o banho hormonal do feto durante a gestação (se com algum hormônio em excesso), peculiaridades genéticas ou até transtorno de estresse pós-traumático (no caso de trauma sexual muito grave). Mas não há consenso ou predominância na opinião dos especialistas em relação a isso.

Mesmo que as causas da transexualidade não sejam ainda totalmente compreendidas pela ciência, existem evidências de que transexualidade é uma condição neurológica (ou seja, não é um transtorno mental/psicológico). Uma pessoa transexual não tem como deixar de ser transexual. Contudo, existem tratamentos hormonais e cirurgias que podem ajudar a fazer com que a pessoa se sinta melhor e possa viver melhor de acordo com o seu gênero psicológico.


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